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Que se Ouça o TEU Canto

Foto: Alisson Silveira/ Facebook

Por Fernando Puhlmann*

Há 3 ou 4 domingos eu acordei com um whats do meu pai, que mora em Alegrete: “O Paulo André Berquó foi internado em Santa Maria com Covid”.

Comecei a perguntar nos grupos que tenho com amigos em comum e descobri que era sério, que o meu grande amigo, o cara que dividiu comigo alguns dos melhores momentos da minha vida, o cara que tocava violão, cajon, cantava, declamava, jogava bem todos os esportes que tu possas imaginar, mentia no truco e era metido a poeta, estava por um fio em uma cama de UTI, disputando a partida mais difícil da sua vida.

Não deu, o COVID (ou o abandono de quem deveria zelar por todos) foi um adversário mais forte. Partiu o meu amigo que era um evento em si, o maior sorriso que eu conheci na vida. Mas o que isso tem a ver com um blog de música? Eu explico, Paulo André foi o cara que me apresentou muitas canções que marcaram a minha vida.

Mário Barbará. Foto: Eduardo Rocha/ Divulgação

Ontem, trabalhando, coloquei para tocar uma playlist de Festivais Nativistas e entre elas tocou uma que me fez lembrar dos nossos encontros para tomar cerveja, falar de futebol, fazer planos para um futuro que parecia tão diferente do que aconteceu. Principalmente para ele declamar e tocar no violão grandes sucessos da Califórnia da Canção Nativa.

E foi ouvindo “Onde o Cantor Expõe as Razões do seu Canto”, do MESTRE Mário Barbará, que eu entendi que o Paulo André nunca vai nos deixar, porque algumas pessoas são tão marcantes na vida de outras que daqui a décadas, quando talvez nem se lembrem mais o nome dele, ainda vão contar histórias de um gigante, de sorriso largo, mãos grades, áurea iluminada e coração imenso que ousou ser feliz sempre, cada dia da sua vida, independente do momento que se estava vivendo. Um cara que brigou (a boa briga) por tudo que acreditava certo e que até o final lutou pela vida.

Por esse homem nos olhos de quem as estrelas fazem chão
E em cujas mãos há uma força tamanha que ninguém adivinha
Por este homem claro de céu, resto de verde, berro de boi
Pitangas colhidas na festa da vida, carícia de campos cobertos de trigo
Por este homem, pampa, milongas e rio é que faço meu canto
E sendo cantar meu ofício, e nada tendo além desta voz
Que se ouça meu canto, que se ouça meu canto
Cravo cravado em clara garganta, sangra sangrando campina e barranca
Ferra ferrando, inventa alegrias nas cordas do coração
Nas cordas do coração, nas cordas do coração

Onde o Cantor Expõe as Razões do seu Canto – Mário Barbará

Voa meu amigo, a música vai continuar a nos unir, cada vez que eu ouvir um clássico, como chamávamos as nossas favoritas dos Festivais, eu vou lembrar de ti e cada vez que alguém me perguntar do que eu tenho orgulho na vida, eu vou dizer que um deles é de ter sido teu comparsa de trago, canto e sonhos. Até qualquer dia, ou qualquer hora, como diria outro poeta que muito cantamos Mestre João Chagas Leite.


Fernando Puhlmann é sócio e diretor de inovação da Cuentos Y Circo, além de ser leitor do amusicablog. Você também pode participar. É só entrar em contato conosco por aqui ou nas nossas redes sociais. Estamos no Facebook e no Instagram. Aproveita e segue lá!

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