Site icon amúsica

Roberto Carlos (1966) – Ênfase no Rock, Capa Inspirada nos Beatles e Variedade de Compositores

Por Wesley Dias

Considerado um dos melhores trabalhos de Roberto Carlos, o disco homônimo de 1966 traz inúmeros sucessos que contribuíram diretamente para a sua simbólica coroação como o “rei da juventude” naquele mesmo ano. 

Começando pela capa do disco, já podemos observar uma clara referência a icônica banda inglesa, Beatles. A ilustração vai de encontro a identidade visual do álbum “With The Beatles” de 1963, evidenciando que além do som, Roberto também pegava outras referências da banda.  

Produzido no auge da Jovem Guarda, o trabalho foi 100% voltado para o Rock, numa época da qual o gênero se consolidava de vez no Brasil. Através das versões adaptadas, inúmeras músicas eram abrasileiradas e se tornavam um sucesso.  Como exemplo temos ”Forget Him”, que virou “Esqueça” através da adaptação do compositor Roberto Côrte Real. Essa versão que se que tornou um dos maiores êxitos de Roberto Carlos neste álbum de 66.  

Tradicionalmente é comum notar uma alta dose de produção autoral nos trabalhos de RC, porém, há nesse disco uma elevada quantidade de compositores variados. Algumas canções compostas por Roberto são “Eu te Darei o Céu” e “Estou Apaixonado por Você (Com Erasmo), e “Namoradinha de um Amigo Meu” e “Querem Acabar Comigo” (solo). Nas demais canções surgem compositores como Luiz Ayrão, dono do sucesso “Nossa Canção”. Há também Getúlio Côrtes com “O Gênio” e “Negro Gato”. Edson Trindade com “Não Precisa Chorar”. Além de Helena dos Santos com “Esperando Você”.  

Na parte do acompanhamento musical, Roberto contou com massiva participação de populares conjuntos de Rock da época. Bandas como “The Fevers”, “Renato e os seus Blue Caps”, “The Blacks” e “The Youngsters” contribuíram cirurgicamente na parte instrumental do álbum, tornando esse um inesquecível trabalho.  

Opinião 

Na minha concepção, é justíssimo que mesmo passados mais de 50 anos, esse trabalho ainda seja amplamente lembrado por fãs do cantor. Ainda com uma produção que beirava a inocência, Roberto apresentava nessa época grande vigor nas suas intepretações, além de um êxito muito grande na definição do seu repertório. Pois mesmo sendo um disco pouco autoral, o cantor conseguiu se apropriar muito bem de todas as músicas. O exemplo mais claro disso pode ser visto em “Nossa Canção” (Luiz Ayrão), onde Roberto apresenta notável sentimentalismo e verdade na sua interpretação.  

Considero esse um dos discos essenciais da década de 60, sendo aquele que colocou o artista em definitivo como um dos mais promissores do Brasil na época. O álbum alcançou rapidamente as paradas de sucesso ainda no mês do seu lançamento, e neste mesmo ano Roberto Carlos é coroado por Chacrinha na Tv Excelsior como o “Rei da Juventude”.

Ouça Roberto Carlos (1966)

Siga o amúsica nas redes sociais: Instagram | Facebook.

Sair da versão mobile